A vida imita a arte ou a arte imita a vida?

Atualmente a excitação das vontades e desejos tentando se impor, umas ás outras em nossa sociedade e principalmente nas rede sociais, tem provocado cada vez mais um verdadeiro embate entre as pessoas no desejo de conseguir mostrar que a sua opinião é a correta.  É o que podemos perceber com um antigo produto da televisão brasileira, á telenovela.

A atual Novela das nove “A Força do Querer” de Glória Perez é um sucesso absoluto. Tornou-se maior audiência desde “Avenida Brasil” (2012) de João Emanuel Carneiro. Em meio a tantas questões polêmicas que são abordadas na trama sem dúvidas a que mais chamou atenção do público e gerou grande repercussão é a personagem Bibi Perigosa, interpretada pela Atriz Juliana Paes. A personagem é inspirada na história real de Fabiana Escobar, que foi casada por 14 anos com o traficante Saulo de Sá Silva, conhecido como Barão do pó da comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro. Com o marido preso, Fabiana comandou os negócios ilícitos do marido sem nunca ter sido pega, história publicada em um blog pessoal da mesma, e no livro “Perigosa”, lançado em 2013.

Juliana Paes como a personagem Bibi de A Força do Querer (foto:reprodução)

A maior questão gerada a partir do desenvolvimento da personagem é a seguinte: é ou não é apologia ao tráfico retratá-la como tem sido visto na novela?  A personagem Bibi Perigosa, tem recebido diversas críticas por supostamente seu estilo de vida criminal ter ganhado glamour e romance.

A verdade é que não devemos esconder a realidade embaixo de um tapete, sabemos que infelizmente não estamos falando apenas de uma mera peça de ficção, mas sim, de uma triste realidade de milhares de mulheres brasileiras. É notável o aumento da população carcerária feminina, que teve um aumento de 700% nos últimos 15 anos, e por incrível que pareça, a maioria dos casos é tráfico de drogas a partir de algum tipo de relação afetiva com homens que possuem envolvimento no tráfico, ou que passam a se envolver no decorrer do relacionamento, exatamente como abordado na novela.

No início do folhetim, Bibi foi apresentada como uma moça apaixonada e dedicada ao marido Rubinho (Emílio Dantas), que estava desempregado, e como qualquer casal com um filho pequeno passavam por dificuldades financeiras, porém nada disso era capaz de abalar o amor entre os dois principalmente, o da perigosa. Porém, no decorrer dos capítulos Bibi se transformou. Rubinho se envolveu com o tráfico de drogas, chegando até mesmo a se tornar um chefe do crime. A esposa apaixonada teve de se enfiar nas mais diversas situações para salvar a pele do amado, e aos poucos ficou deslumbrada com os luxos e o poder paralelo que foi adquirindo aos poucos.

Fabiana Escobar, a Bibi da Vida Real, que escreveu o livro Perigosa, auto-biografia que inspirou Glória Perez a criar a personagem. (foto:reprodução)

A personagem personificou de maneira clara as “escolhas” que as pessoas fazem ao longo de suas vidas, e isso é algo que diz respeito a todos. Uma escolha errada, seja na profissão, no amor, em qualquer aspecto ou momento da vida. Aquela escolha que pode parecer simples mas que muitas vezes fazem as pessoas pensarem “como é que pude fazer isso?” “Não entendo como fiz isso!” “Onde eu estava com a cabeça?” A sensação de raiva que as pessoas podem sentir de si mesmas.

Em nosso país, existem inúmeros casos iguais ao que é relatado na ficção, e não se tratam de meras personagens, ou de casos isolados. É uma realidade a qual não deve ser ignorada por discursos conservadores, que queiram igualar essa representação social a apologia. Mulheres se envolverem com a criminalidade é um problema que merece atenção urgentemente.

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